terça-feira, março 16, 2010

Relatos da ventania em Barra de Cunhaú

Francisco Silvestre acordou com o barulho do vento e abriu a janela para ver o que estava acontecendo. "Vi um redemoinho dentro do mar. Pensei que ia acabar tudo. Deu vontade de sair correndo de casa". Foi da janela que ele avistou os pescadores e donos de embarcações tentando livrar os barcos das ondas. Ednardo de Oliveira Silva, 31 anos, foi um dos que enfrentou as ondas para recuperar a embarcação. "Levantei às 3h para procurar minha balsa, que foi parar lá no mangue", relata. O choque contra o mangue chegou a quebrar parte da balsa - uma das poucas que continuou operando depois do vendaval. Ednardo explica que algumas embarcações chegaram a ser lançadas contra as pedras e canoas afundaram em meio ao temporal.

A polícia ambiental foi acionada às 5h pelo grupo de pesquisadores da ONG Navima e deslocou duas equipes para trabalhar num possível resgate a vítimas. Mas segundo o major da Polícia Ambiental Túlio César, não houve vítimas. A ventania, considerada por ele como "fora do normal" não causou grandes prejuízos à população. O tenente da Polícia Ambiental Gustavo Dantas descarta a hipótese de um tornado ter atingido Barra de Cunhaú. "Se houve tornado não foi na costa. Pode ser que tenha ocorrido no oceano e se dissipado antes de chegar no continente. O epicentro não chegou aqui", explicou o tenente.

Algumas árvores caíram sobre os fios da rede de energia elétrica, interrompendo o abastecimento da comunidade. A energia só reestabecida às 10h.

Animais mortos
A equipe de pesquisadores da Navima - que desenvolve pesquisas no local desde 2009 - também encontrou moreias, baiacus e uma tartaruga mortos na praia. Para a presidente da ONG, Rosimeire Dantas, a morte de peixes e a ventania são reflexos do aumento da temperatura no mar. Ela não descarta a possibilidade de outros vendavais ocorrerem no litoral potiguar. "Podemos ter mais problemas na costa, se a temperatura do mar aumentar mais".

Para Rosemeire, o que ocorreu em Barra do Cunhaú foi um tornado com epicentro no oceano. "O tornado quebrou no mar. Se tivesse quebrado na costa, não teria sobrado nada em Barra do Cunhaú", defendeu a pesquisadora, mesmo após o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) afirmar que o fenômeno não passava de um vendaval. Segundo ela, os ventos fortes também atingiram os municípíos de Vila Flor e Baía Formosa.

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